Publicado em 12.04.2021

A história do Cobogó

O elemento vazado teve origem em Pernambuco, local quente e úmido, no ano de 1929, elaborado para atenuar as condições climáticas características das obras nordestinas, utilizando paredes perfuradas que propiciam ventilação natural permanente e bloqueio instantâneo da entrada de luz solar. Conhecido popularmente como “cobogó”, por ser a junção das sílabas iniciais do sobrenome de seus criadores: um comerciante português -Amadeu Oliveira Coimbra-, outro comerciante alemão –Ernest August Boeckmann– e um engenheiro pernambucano Antônio de Goés; o elemento tornou-se símbolo da arquitetura moderna brasileira.

Surgindo junto ao período da Semana de Arte Moderna de 1922 e da Revolução de 1930, criou-se uma linguagem característica da arquitetura moderna brasileira, com a fixação do elemento vazado ao ambiente construído; este elemento foi utilizado também em regiões mais ao sul e sudeste, por arquitetos que desejavam negar o tradicionalismo e declarar opiniões inovadoras e modernas, podendo citar Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Afonso Eduardo Reidy e Rino Levi.

Se destacaram diversos projetos abrangendo o elemento vazado, podendo-se citar o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (Edifício Pedregulho), de 1947, do arquiteto Afonso Eduardo Reidy, o Parque Guinle, com início em 1920, de Lúcio Costa, e até mesmo o Pavilhão do Brasil em Nova Iorque, projeto deste e Oscar Niemeyer (1939).

Atualmente o cobogó vem retornando à origem popular, difundindo-se amplamente pela apropriação do usuário e sendo abordado como imagem e poética à obra.

 

Referências Bibliográficas:

SCHINCARIOL, Maria Luiza Deffaccio. A utilização do elemento vazado para obtenção de conforto térmico na Residência Castor Delgado Perez - Rino Levi (1958). Monografia (Pós-Graduação) - Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, 2020.

 

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